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Dissonância Cognitiva #20: O Poder das Palavras em Definir a Realidade: o Caso do Robalo Chileno

Dissonância Cognitiva #20: O Poder das Palavras em Definir a Realidade: o Caso do Robalo Chileno
By Bruno Ribeiro • Issue #20 • View online
Bem-vindo à edição semanal da Dissonância Cognitiva, uma newsletter que explora a interligação entre Psicologia Social e Cognitiva, Behavioral Economics e o mundo do Marketing e Publicidade.

O Poder das Palavras em Definir a Realidade: o Caso do Robalo Chileno
Fonte: foto de Brendan Church
Fonte: foto de Brendan Church
A Percepção é mais forte do que a realidade.
O nosso cérebro tem a capacidade de interpretar o mundo que nos rodeia, adaptando os estímulos externos de acordo com os mapas mentais que criamos com base na nossa experiência e na cultura e contexto em que crescemos e vivemos. A forma como processamos informação e a avaliamos é definida com base no contexto em que nos inserimos, seja com base na fonte da informação, no formato em que nos é apresentado, ou mesmo na linguagem que é usada.
Um dos melhores exemplos de como a linguagem, e mais especificamente a forma como nomeamos algo, pode mudar o comportamento das pessoas chega-nos da forma como um comerciante de peixe conseguiu transformar uma espécie pouco conhecida e procurada, numa das iguarias mais procuradas nos restaurantes norte-americanos, de tal forma que quase levou o referido peixe à extinção.
Em 1977, Lee Lantz procurava nas águas da América do Sul novos produtos para importar para os EUA capazes de catapultar o seu serviço de venda de peixe, e consequentemente aumentar as suas receitas. De forma quase acidental Lantz encontrou aquilo que mais tarde seria apelidado de “ouro branco”: uma espécie de peixe com uma carne branca, quase amanteigada, com um sabor distinto e extremamente versátil de cozinhar. O verdadeiro “El Dorado” para um negociante de peixes.
O problema? A espécie para além de ser visualmente pouco apelativa, tinha um nome ainda menos interessante: Patagonian Toothfish, peixe-dente da Patagónia (em português o nome da espécie é menos sinistro: merluza-negra). Lantz, demonstrando ter um excelente sentido para o marketing e compreensão da mente do consumidor, resolveu renomear a espécie para fins comerciais. E assim nasceu o robalo chileno, um nome que para o cliente norte-americano simultaneamente transmitia um sentimento de familiaridade (robalo), mantendo uma componente mais exótica quanto à origem do animal.
Fonte: New Zealand Geographic
Fonte: New Zealand Geographic
Este simples acto de renomear a espécie permitiu que rapidamente o “robalo chileno” passasse a fazer parte dos menus dos mais sofisticados restaurantes norte-americanos. Clientes que não estavam dispostos a experimentar o “peixe-dente da Patagónia”, estavam mais do que disponíveis para pagar perto de 50 dólares por prato pelo mesmo produto, mas com um nome diferente.
Este moldar da realidade através do nome dos produtos é algo muito normal na indústria da restauração, em que as bochechas do porco são transformadas em “burras”, encontramos “caviar de vinho do Porto” ou nos deliciamos com marquises de chocolate. O trabalho por trás das decisões de renomear pratos e ingredientes tem o objectivo de diferenciar o serviço, permitindo aos restaurantes retirarem maiores dividendos do mesmo.
No entanto, estas alterações de nomenclatura são também responsáveis por melhorar a experiência do cliente que, induzido pelos nomes, desfruta da mesma de uma forma mais satisfatória. Pode-se condenar esta prática como sendo algo desonesta, mas um cliente de um restaurante, na maioria das situações, procura algo mais do que uma refeição. Procura uma experiência única, diferente do usual, e que lhe permita criar uma narrativa memorável.
Consegui-lo através dos mecanismos mentais do cliente é tão válido como através do desempenho culinário do chef.
Estímulo Cognitivo
A terceira parte do documentário “The Century of the Self” aborda o crescimento de uma nova geração cultural focada no Eu, na satisfação das necessidades e desejos internos e de uma crescente cultura da individualidade.
The Century of the Self - Part 3: "There is a Policeman Inside All Our Heads; He Must Be Destroyed."
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The Grim Secret of Nordic Happiness
The Goldilocks Rule: How to Stay Motivated in Life and Business
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Numa altura em que os Jogos Olímpico dominam as notícias, o destaque desta semana vai para a campanha de promoção dos Jogos Paralímpicos do Channel 4, do Reino Unido, adequadamente intitulada “Super.Human.” que demonstra os desafios que estes atletas superam diariamente.
Super. Human. | Tokyo 2020 Paralympic Games Trailer
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Bruno Ribeiro

Dissonância Cognitiva é uma newsletter que explora a interligação entre Psicologia Social e Cognitiva, Economia Comportamental e o mundo do Marketing e Publicidade.

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